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   Botânica


PLANTA


A vida na Terra só é possível graças às plantas. Os vegetais transformam a energia luminosa proveniente do Sol em matéria orgânica assimilável pelos animais e outros organismos.
Planta é todo ser vivo organizado, pertencente ao reino vegetal, que se nutre, cresce e se reproduz com as seguintes características: (1) nutre-se por fotossíntese, ou seja, tem a capacidade de extrair seu alimento da água e do dióxido de carbono, com a ajuda da luz solar e da clorofila; (2) apresenta um processo ilimitado de crescimento, em que os tecidos embrionários (meristemas) permanecem ativos durante toda a vida do organismo; (3) possui células que contêm celulose em suas paredes e é, portanto, relativamente rígida; (4) não tem órgãos locomotores, o que lhe confere existência estacionária; e (5) carece de sistema sensorial e nervoso.

Características e tipos de estrutura. É difícil produzir uma definição completa, que inclua todas as plantas e exclua todos os organismos que não sejam plantas. Há muitas plantas, por exemplo, que não produzem seu próprio alimento por fotossíntese: são parasitas de outras plantas vivas. Há também as saprofíticas, que se nutrem de matéria orgânica morta.
Dentro da classificação tradicional, não havia uma linha divisória nítida entre plantas e animais, sobretudo entre as formas inferiores ou primitivas, como por exemplo o protozoário Euglena, ao mesmo tempo fotossintético e capaz de nadar ou mesmo ingerir partículas de alimentos. Outro problema eram os animais com características de plantas, como a ausência de mobilidade (por exemplo, as esponjas) ou uma forma de crescimento semelhante à das plantas (como alguns corais e briozoários). Para superar esse tipo de dificuldade, criou-se outra classificação para acomodar certos organismos com características indefinidas. Pelo novo critério, protozoários, algas e fungos inferiores foram excluídos da tradicional divisão entre animais e vegetais, passando a integrar um reino à parte, o dos protistas.
Em oposição às chamadas plantas inferiores distinguem-se as vasculares, possuidoras de vasos. A expressão "plantas superiores" ora é usada para indicar as plantas vasculares, ora em sentido restrito com o significado de fanerógamas (vegetais cujos órgãos reprodutivos são bastante evidentes). Chamam-se plantas monocárpicas as que frutificam uma só vez e depois morrem, como a palmeira Corypha, da Índia e Sri Lanka, e policárpicas as que o fazem diversas vezes. Com respeito aos hábitos alimentares, distinguem-se as autotróficas, que realizam a fotossíntese, e as heterotróficas, que são incapazes de realizá-la.
As células das plantas são revestidas por uma parede de celulose e outros polissacarídeos estruturais que lhes dão rigidez. O crescimento dos vegetais não é limitado como o dos animais, já que o meristema (que se caracteriza pela ativa divisão de suas células) está sempre formando novas estruturas, como ramos, talos e folhas. Embora estacionárias, as plantas apresentam uma mobilidade parcial, resultante de estímulos diversos, como gravidade ou luz, conhecida como tropismo. Há também, nas primeiras fases de desenvolvimento da planta, uma capacidade de se deslocar pela ação, por exemplo, de células germinais providas de flagelos.

Processo evolutivo. Era paleozóica. A conquista do ambiente terrestre pelos vegetais foi um dos passos decisivos na evolução dos seres vivos. Atualmente os botânicos acreditam que as plantas se desenvolveram a partir das algas, graças a mudanças evolutivas ocorridas quando seres vivos multicelulares fotossintéticos invadiram os continentes. As mais antigas evidências de plantas terrestres são fósseis encontrados em rochas do período ordoviciano (505 a 438 milhões de anos atrás).
Os fósseis são mais abundantes e diversificados em rochas do período siluriano, nas quais se encontraram as primeiras evidências macroscópicas de plantas terrestres. Esses fósseis correspondem ao grupo das briófitas (musgos) ou ao das pteridófitas (criptógamos vasculares), que se tornaram abundantes no devoniano e no carbonífero, quando predominaram os fetos gigantes. Eqüissetáceas, licopódios e fetos integram o que os botânicos por muito tempo denominaram criptógamos vasculares, plantas mais evoluídas que os musgos cujos órgãos reprodutivos não são aparentes e que possuem vasos condutores de seiva. No período carbonífero surgiram também certos tipos de gimnospermas, plantas superiores em que as sementes estão a descoberto, desprovidas de estruturas que as envolvam, e cujas flores são pouco aparentes e reduzidas a suas partes reprodutivas.


Era mesozóica. Na era seguinte, a mesozóica, uma classe das gimnospermas, a das plantas coníferas, iniciou seu grande desenvolvimento e difusão por vastas áreas continentais. No período cretáceo (o último dessa era) surgiram as primeiras angiospermas, plantas superiores providas de sementes abrigadas no pericarpo, em órgãos específicos denominados ovários. Na maioria dos casos, as flores das angiospermas são dotadas de estruturas acessórias, como cálice (composto de sépalas) e corola (formada pelas pétalas).


Importância econômica e ecológica. É capital a importância econômica das plantas, uma vez que a alimentação humana se baseia no consumo direto de vegetais -- cereais, hortaliças e frutas -- ou de produtos elaborados a partir deles -- azeite, açúcar, farinhas ou bebidas (alcoólicas ou não). Algumas plantas são empregadas como condimentos e outras até como alimentação animal (pastos e forragens).
O interesse pelas propriedades medicinais das plantas é bastante antigo. Sempre se obteve dos vegetais essências, extratos e princípios ativos de aplicação médica. Há muito tempo também o homem recorre à madeira das árvores para obter o material usado na construção de suas habitações. Outros exemplos da importância do reino vegetal para a civilização humana são a borracha, as fibras têxteis (linho, algodão, juta etc.) e mesmo substâncias combustíveis (carvão). As plantas são geradoras de oxigênio, formadoras de solo e criadoras de habitats. Têm também função reguladora do equilíbrio ecológico e constituem o elo primário das cadeias alimentares (tróficas) dos ecossistemas das terras emersas dos oceanos.






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