O melhor portal biológico da internet!

Os Tecidos Conjuntivos
 Histologia


1. Apresentação

Todas as células de um metazoário originam-se por mitoses sucessivas a partir de uma única: o zigoto. Por isso, todas as células possuem o mesmo material genético embora, em um adulto, haja diversos tipos celulares, que apresentam formas e desempenham funções diversas. O processo que permite o aparecimento de células diferentes a partir de células precursoras comuns chama-se diferenciação celular, o que determina a existência dos vários tecidos animais: epiteliais, conjuntivos, musculares e nervoso.

Os tecidos conjuntivos caracterizam-se por alguns aspectos, listados a seguir:

- Diversidade de tipos celulares: nos tecidos conjuntivos, é comum o encontro de dezenas de tipos celulares distintos. Essas células não possuem apenas forma, mas também funções peculiares.

- Células esparsas: as células dos tecidos conjuntivos localizam-se afastadas umas das outras e raramente se tocam.

- Abundância de interstício: entre as células, há grande quantidade de material intersticial, formado por duas porções: uma substância fundamental amorfa e outra de fibras protéicas. Essas fibras podem ser de três tipos: colágeno (a proteína mais abundante do corpo humano), fibras elásticas e fibras reticulares.

 

2. Funções do Tecido Conjuntivo

O tecido conjuntivo relaciona-se principalmente com as seguintes funções:

- Sustentação e preenchimento: eles constituem as cápsulas de revestimento externo de muitos órgãos, como o fígado e os rins. Formam também as tramas internas que sustentam as células desses órgãos.

- Defesa orgânica: muitas células de defesa contra infecções fazem parte dos tecidos conjuntivos, ativas no combate a microorganismos causadores de infecções. Algumas dessas células possuem capacidade fagocitária e destroem os invasores graças à ação das enzimas de seus lisossomos. Outras células são produtoras de anticorpos, moléculas ativas contra uma grande variedade de agentes infecciosos, como vírus e bactérias.

- Nutrição: muitos órgãos do corpo apresentam células dispostas em camadas, e muitas delas encontram-se apoiadas sobre um tecido conjuntivo, do qual recebem oxigênio e nutrientes. A epiderme da pele, por exemplo, não é vascularizada, mas acha-se apoiada sobre a derme, um tecido conjuntivo altamente vascularizado de onde partem substâncias que nutrem as células da epiderme.

 

3. Tipos de Fibras dos Tecidos Conjuntivos

- Colágeno: as fibras colágenas são esbranquiçadas, e suas moléculas estão dispostas paralelas umas às outras. O colágeno representa cerca de 30% do total de proteínas do corpo humano.

- Fibras elásticas: fibras protéicas mais delgadas que o colágeno, muito ramificadas e formam malhas irregulares. Seu principal componente é a proteína elastina.

- Fibras reticulares: são fibras delicadas, dispostas em rede. São encontradas abundantemente nas tramas internas de numerosos órgãos, como o baço e os gânglios linfáticos. Também são encontradas nas cápsulas externas dos órgãos.

 

4. Células do Tecido Conjuntivo

- Fibroblastos: responsáveis pela produção das fibras protéicas e da substância amorfa, que ocupam o interstício dos tecidos conjuntivos. Nos indivíduos adultos, os fibroblastos dividem-se pouco, exceto em casos de lesão do tecido conjuntivo, quando entram em mitose e participam da reparação dessa lesão.

- Macrófagos: células grandes, ricas em lisossomos e com grande capacidade de realizar fagocitose. Participam do combate aos agentes infecciosos e da remoção de restos de tecidos lesados. Movimentam-se graças à emissão de pseudópodos ("movimento amebóide").

- Mastócitos: células grandes e globosas, com núcleo grande e central, e citoplasma repleto de grânulos que contêm histamina, substância responsável pelas manifestações alérgicas, e heparina, de ação anticoagulante.

- Plasmócitos: células de aspecto ovóide. Apresentam ergastoplasma desenvolvido, o que se associa com sua principal função: a produção de anticorpos.

- Adipócitos: células cujo citoplasma é quase totalmente ocupado por gotículas de gordura.

 

5. Tipos de Tecidos Conjuntivos

Os diversos tipos de tecidos conjuntivos diferenciam-se pela quantidade e pelo tipo de células e de fibras protéicas, além de estarem associados a diversas funções especiais:

- Tecido conjuntivo propriamente dito: preenche espaços entre as células dos diferentes órgãos do corpo, mantendo sua arquitetura. Formam os ligamentos e os tendões.

- Tecido adiposo: constitui importante reserva energética, além de atuar como isolante térmico e como amortecedor de choques ao redor de alguns órgãos, como os rins.

- Tecido hematopoético (ou hemocitopoético): localiza-se na medula dos ossos e são o local de produção das células do sangue. Trata-se da medula óssea vermelha.

Apesar de sua consistência líquida, o sangue também se constitui em um tipo especial de tecido conjuntivo. Em função de suas características bastante peculiares, será estudado em um setor à parte.

- Tecido cartilaginoso: possui consistência rígida e elástica. Apresenta algumas funções: manutenção da arquitetura de partes do corpo, como orelhas e nariz; proteção da superfície articular dos ossos; manutenção da abertura das vias aéreas, etc. O interstício do tecido cartilaginoso é a matriz cartilaginosa, rica em colágeno. Suas células são de três tipos: os condrócitos, células permanentes, oscondroblastos, responsáveis pela produção em larga escala de matriz cartilaginosa, e os condroclastos, células ricas em lisossomos e responsáveis pela remodelagem da matriz.

- Tecido ósseo: constitui os ossos, componentes do esqueleto e que servem como estruturas de sustentação do corpo, além de formar sistemas de alavancas que potencializam a ação dos músculos. Oferecem proteção para certas estruturas vitais, como o encéfalo, localizado no interior da caixa craniana, e os órgãos do tórax.

O interstício do tecido ósseo (ou matriz óssea) é mineralizado, formado por fibras de colágeno e por sais de cálcio. Apresenta três tipos de células: osteócitos, são responsáveis pela manutenção da matriz; osteoblastos, importantes na produção de matriz orgânica;osteoclastos, células multinucleadas, móveis e dotadas de lisossomos, responsáveis pela remodelagem da matriz óssea.